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Montagem e Continuidade na Edição de Vídeo

Marcelo Leite • 04 set 2017

Quando o assunto é edição de vídeos, muitas pessoas expressam dúvidas em relação à montagem e aos tipos de cortes que devem ser aplicados. Essas dúvidas se tornam ainda mais significativas quando falamos de vídeos, como, por exemplo, comerciais e entrevistas, onde temos um curto espaço de tempo para transmitir uma ideia.

Através da edição e da montagem de cenas, podemos transmitir muitas mensagens e fazer uma cena se tornar emocionante e dinâmica ou chata e maçante. Tudo depende da forma que você intercala e ajusta as transições para o espectador.


Como exemplo, vamos analisar o clipe de um comercial caseiro, feito pelo dono de um carro velho, que decidiu vender o veículo. O editor quis passar a ideia de uma máquina potente e que continua funcionando mesmo após anos de uso. As cenas iniciais com cortes mais longos e em p&b transmitem com sucesso o estilo retrô.

O clipe traz um tom épico e torna o veículo algo valioso e poderoso, como a maioria dos comerciais de carro de luxo faz.

É claro que, na metade do vídeo, percebemos que se trata de uma sátira, mas não podemos deixar de notar como o tom do vídeo nos engana. E fica ainda mais engraçado perceber que um comercial tão bem estruturado teve como protagonista um carro velho de bancos rasgados.

A montagem feita com cortes rápidos, mostrando várias partes do carro, fica rítmica com a música de fundo, um dos pontos mais importantes para trazer a fluidez da edição. Essa naturalidade entre uma música bem escolhida e cortes rítmicos realça a ideia do carro ser um produto elegante e de qualidade.

Os cortes rápidos, normalmente, traduzem uma ideia de dinamicidade, velocidade, valor e quantidade. No caso desse comercial, temos 18 cortes mostrando partes do carro, enquanto o locutor está narrando o nome de partes e peças importantes do carro. Repare nos cortes da timeline:

Premiere

Com o acelerar da música, os cortes variam entre bem pequenos e outros um pouco maiores, nunca seguindo uma sequência com mais de três cortes pequenos juntos.

Essa técnica é usada para não deixarmos o espectador perdido nos cortes que são rápidos demais. Outro ponto importante a se notar é o local e os cortes que estamos visualizando nesse clipe, estamos vendo uma cena só de vários ângulos e partes de um mesmo produto.

É importante realçar aqui que os cortes estão sendo intercalados em uma cena interna com o mesmo tom de luz e movimento de câmera. Alguns desses movimentos chamamos de “pan” (panoramic) outros de zoom out/in, sempre variando entre essas duas.

Essa ideia se repete mais uma vez no final do clipe, quando o narrador começa a narrar os benefícios do carro, finalizando com o fade de um quadro do carro na posição frontal, junto com o toque final da trilha sonora, pontuando e finalizando a ideia de forma dinâmica.

Repare em alguns frames do vídeo:

Premiere

Embora o clipe seja curto, o material bruto costuma ser bastante volumoso para trabalhos desse tipo. Precisamos ter muitas opções de quadros e tempo de material para dar essa dinamicidade à cena.

Raramente repetimos cenas em um clipe como esse, precisamos dar a entender que o produto tem muito a oferecer e repetir cenas passaria a ideia contrária. Esse é um dos exemplos que provam que a edição e a montagem de cenas estão diretamente ligadas ao sentimento que o espectador tem ao assistir o material.

O papel do editor é garantir que o espectador seja levado através das cenas de forma fluída e contínua, sem se perder na ideia principal do vídeo, seja através de cortes rápidos, ou cortes mais lentos que transmitem ideias diferentes do nosso exemplo.

Marcelo Leite

Marcelo Leite é CEO e co-founder de uma empresa de comunicação em Brasília.
Trabalha na área de direção e edição de vídeo, desenvolvendo projetos áudio visuais para seus clientes, tendo vários de seus trabalhos veiculados em grandes emissoras como TV Globo e Record.

Já ministrou dezenas de treinamentos e palestras oficiais da Adobe na ENG DTP & Multimídia.

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